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2 novembro 2026
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Exposição resgata história de 67 objetos sagrados do Batuque levados para a Alemanha

Por Redação Rádio Cultura ZS | 02/11/2026 – 10h29min.

A história de 67 objetos sagrados do Batuque, retirados do Rio Grande do Sul no final do século XIX e atualmente mantidos no Museu Etnológico de Berlim, na Alemanha, voltou a ser apresentada ao público em Rio Grande. Uma exposição montada em banners no Mercado Público integra a programação da Semana de Combate à Intolerância Religiosa e busca ampliar o debate sobre a retirada das peças e a reivindicação pelo retorno do acervo ao Brasil.

Segundo o historiador e professor do Instituto Federal, campus Pelotas, Vinícius Pereira de Oliveira, conhecido nas religiões de matriz africana como Vinícius de Aganju, os objetos foram apreendidos pela polícia durante uma cerimônia religiosa, possivelmente no final da década de 1870. O ritual teria reunido cerca de 100 pessoas e sido conduzido por uma liderança negra.

Após permanecerem na delegacia, os artefatos foram adquiridos por um comerciante alemão que atuava no Rio Grande do Sul e posteriormente enviados à Alemanha. A transferência teria sido justificada como uma doação à Santa Casa de Misericórdia.

Os 67 objetos estão sob a guarda do museu alemão desde 1880. De acordo com Oliveira, as peças raramente foram expostas e ainda não passaram por estudos aprofundados. Para as comunidades religiosas, são objetos sagrados, considerados vivos por carregarem axé e representarem a ligação com o sagrado.

Atualmente, o acervo é identificado pelo museu como Coleção Pitzker, em referência ao comerciante envolvido na transferência. O movimento defende a mudança do nome para Coleção Batuque, em reconhecimento à origem e ao significado religioso e cultural das peças.

Mobilização pela repatriação

A reivindicação pelo retorno dos objetos reúne pesquisadores, representantes da comunidade negra e integrantes das religiões de matriz africana. A mobilização já promoveu encontros e atividades em comunidades de terreiro de municípios como Rio Grande e Porto Alegre.

Um dos avanços foi o encaminhamento de um dossiê ao Ministério da Igualdade Racial, que acionou o Ministério das Relações Exteriores. O documento reúne pesquisas sobre a trajetória dos objetos, a repressão às religiões de matriz africana durante e após a escravidão e o posicionamento das comunidades de terreiro sobre a repatriação.

Com o encaminhamento, o Itamaraty deverá conduzir as tratativas diplomáticas entre os governos brasileiro e alemão e o Museu Etnológico de Berlim.

Outra etapa envolve a escolha de uma instituição museológica no Rio Grande do Sul que atenda às normas internacionais de conservação, condição necessária para receber o acervo caso o retorno seja concretizado.

Projeto prevê atividades em 14 comunidades de terreiro

A mobilização também ganhou apoio financeiro em 2026, com a aprovação de um projeto em edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), promovido pelo governo estadual.

A iniciativa prevê atividades em 14 comunidades de terreiro de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. A programação deverá incluir exposição itinerante, rodas de conversa e ações de formação, com início previsto entre fevereiro e março de 2027.

O projeto também contempla a produção de novos banners, fotografias impressas e estruturas expositivas, que permanecerão disponíveis nas três cidades após o encerramento das atividades.

A proposta é ampliar o acesso à história da coleção e permitir que as próprias comunidades participem da construção e divulgação desse conhecimento. O material também poderá ser utilizado em escolas e outros espaços de debate público.

Para os integrantes do movimento, a reivindicação vai além do retorno físico das peças. A mobilização busca reconhecer a trajetória dos objetos, marcada pela repressão às manifestações religiosas de matriz africana, e garantir o protagonismo das comunidades às quais esse patrimônio pertence.

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