Por Redação Rádio Cultura ZS | 26/06/2026 – 10h20min
A 2ª Conferência do Sul sobre Mudanças Climáticas (COPSul) reuniu, nesta terça e quarta-feiras, 25 e 26, a região sul para discutir os desafios frente às mudanças climáticas. A conferência se consolida como uma arena regional de pactuação, implementação e monitoramento de compromissos concretos entre universidades, institutos federais, prefeituras, pesquisadores e representantes da sociedade civil, destacando pautas ambientais e propostas voltadas ao enfrentamento dos impactos climáticos na região para democratizar o acesso às discussões.
Na solenidade de abertura no Cidec-Sul Furg, na manhã da última quinta-feira, 25, as autoridades presentes reforçaram o papel do evento no desenvolvimento consciente dos municípios e no combate às enchentes, à crise da água e aos riscos à biodiversidade.
O secretário municipal do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas Antônio Soler, representando a prefeita Darlene Pereira, destacou: “É um grande prazer poder sediar a abertura desse evento, que é fundamental para pensar a questão do clima de uma forma mais integrada, regional, e a partir desse debate em rede, ciência, sociedade civil e governo, construirmos ações, tão difíceis de se concretizarem em nível mundial. Pensamos que os municípios e a sociedade civil podem ser um fator de motivação para fazer essas decisões do plano internacional e nacional chegarem aos municípios. Diminuindo a vulnerabilidade ambiental, diminuímos também a vulnerabilidade social”.
Para o prefeito de Pelotas, Fernando Marroni, a contribuição para o combate às emergências climáticas que estamos vivendo deve se dar no território regional. “Esperamos que, a partir dessa nossa COP, possamos ter compromissos objetivos com o território e com a ação de cada organização e da sociedade civil”.
A deputada estadual Laura Sito lembrou o terremoto ocorrido ontem, na Venezuela, e a importância de uma reflexão mais aprofundada sobre a temática do clima: “Temos um desafio grande, do ponto de vista macro, mas também do nosso território, para além dos discursos. Não conseguimos avançar, do ponto de vista legal, na proteção efetiva do nosso bioma pampa. Precisamos garantir que o debate sobre o futuro permita ter um compromisso que possa transcender diferenças ideológicas”.
Em sua fala, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer reforçou as características da região, de alagados, e o papel da agricultura familiar na proteção do solo e da biodiversidade. “Precisamos do fortalecimento de políticas públicas, dialogando no âmbito federal. Se pudéssemos aproveitar recursos públicos, comos os recentemente aprovados no senado federal para quitação de dívidas no cenário de monocultura, para investir em cisternas e diversificação de culturas, o resultado seria bem melhor”.
O diretor do Instituto Federal Rio Grande do Sul (IFRS), Campus Rio Grande, Carlos Fernandes Jr., representando o reitor Júlio Heck, falou sobre o papel do evento na ampliação das discussões. “A representatividade das instituições de ensino é importante para trazermos para a sociedade o retorno que temos que dar. É a forma que temos de agir, oportunizar a discussão e abarcar as necessidades regionais”.
Para a vice-reitora do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) Lia Pachalski, representando o reitor do IFSul, Carlos Jesus Anghinoni Corrêa, a COPSul é um evento único “em que prefeituras da região e instituições se dão as mãos para tratar de um tema muito óbvio, mas que ainda é muito difícil de fazer chegar a todos. Precisamos da quebra da dualidade entre a natureza e o ser humano, construída historicamente pela sociedade. Estamos numa tarefa essencial de espraiar as discussões da COP30 para os nossos territórios”.
O vice-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Eraldo Pinheiro, lembrou o papel da conferência para o futuro. “É um momento da realização de um sonho que estamos construindo desde o ano passado, de fazermos as coisas acontecerem, no âmbito do que acreditamos. A natureza não tem fronteira. Temos que aproveitar esse momento para deixarmos um legado para nosso futuro e o trabalho em rede é a melhor forma de fazermos isso. Já fica o desafio de, no ano que vem, discutirmos os resultados alcançados do que estamos debatendo hoje”.
O reitor em exercício da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Ednei Primel, reiterou a importância do evento no compromisso com as questões na nova realidade climática e a capacidade de integração entre as instituições, poderes municipais e sociedade. “Esse processo é uma construção coletiva e precisamos convidar todos os atores. Nesse ambiente em que temos lagoas, marismas, banhados, reservas ecológicas, o bioma pampa, a ação deve ser integrada, com compromisso econômico, socioambiental e de inclusão, de respeito, aos povos que habitam os territórios. Que possamos avançar, nesses dois dias, nesse aspecto”.
A organização do evento é das prefeituras de Pelotas e Rio Grande, universidades federais de Pelotas (UFPel) e do Rio Grande (FURG) e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) e do Rio Grande do Sul (IFRS). As atividades são realizadas em Pelotas, no IFSul Campus Pelotas, e em Rio Grande, no Cidec-Sul.


