Por Redação
O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, concedeu entrevista à Rádio Cultura Zona Sul e fez um balanço das principais ações do governo ao longo do mandato, destacando avanços na segurança pública, investimentos em infraestrutura, recuperação fiscal e articulações políticas para o futuro do Estado.
Com mais de duas décadas de vida pública, Gabriel Souza afirmou que 2024 foi “o ano mais seguro da história do Rio Grande do Sul”, com redução em praticamente todos os indicadores criminais. Segundo ele, houve queda em homicídios, latrocínios, roubos de carga e crimes rurais. A exceção, reconheceu, são os casos de feminicídio, que seguem em patamar preocupante.
Ao comentar o tema, o vice-governador ressaltou que cerca de oito em cada dez feminicídios não tiveram registro prévio de ocorrência policial. “Nós precisamos agir antes do crime. Episódios de violência doméstica devem ser reportados. A briga de marido e mulher não se mete a colher é coisa do passado. Se mete a colher, sim”, afirmou. Ele destacou o fortalecimento da rede de proteção à mulher, a recriação da Secretaria da Mulher e o uso de tornozeleiras eletrônicas com monitoramento em tempo real para agressores com medida protetiva.
Gabriel Souza também enfatizou os resultados da Operação Verão Total 2026, coordenada por ele no litoral norte e sul do Estado. De acordo com os dados apresentados, houve redução de 63% nos crimes violentos letais intencionais no Litoral Sul e de 50% no Litoral Norte durante o período de veraneio. O roubo a pedestre caiu 54% no sul e 39% no norte.
A operação contou com o reforço de três mil servidores da segurança pública nas regiões mais movimentadas. Além disso, as guaritas de salva-vidas passaram a funcionar como pontos de acolhimento para mulheres vítimas de violência. “Os guarda-vidas foram treinados para agir nesses casos. As guaritas são pontos seguros”, explicou. O Estado também realizou cerca de 800 salvamentos no período, com atuação do Corpo de Bombeiros Militar e guarda-vidas civis.
Na área de infraestrutura, o vice-governador citou a duplicação da ERS-734, em Rio Grande. O primeiro trecho, com mais de quatro quilômetros, já foi entregue. O segundo, que completa cerca de seis quilômetros até o trevo de acesso à cidade, depende da conclusão de desapropriações. “O recurso está garantido, o contrato está feito. Agora é cumprir o processo legal de desapropriação e retomar a obra”, afirmou. A expectativa é que os trabalhos avancem ainda este ano.
Gabriel Souza atribuiu a retomada de investimentos à reorganização fiscal iniciada nos últimos governos. Segundo ele, o Estado saiu da pior classificação na Capacidade de Pagamento (Capag) da Secretaria do Tesouro Nacional — nota D — para a nota C em 2026. “Quando botamos as contas em dia, voltamos a ter dinheiro para investir. O controle dos gastos se traduz em obras e políticas públicas”, disse.
Entre os exemplos citados estão a modernização das viaturas da Brigada Militar, investimentos em educação com pagamento de bônus por desempenho e a ampliação de programas sociais. Ele também mencionou recordes de investimento privado, com mais de R$ 100 bilhões anunciados em 2024 e R$ 92 bilhões no ano seguinte, mesmo após as enchentes que atingiram o Estado.
Outro ponto abordado foi a situação da Malha Sul ferroviária, cuja concessão é de responsabilidade federal. Gabriel Souza criticou o modelo atual e defendeu uma nova licitação que contemple toda a malha em um único bloco, para evitar prejuízos ao Estado. Ele afirmou que o governo gaúcho pressiona por um modelo mais eficiente e que favoreça a competitividade do setor produtivo.
No campo político, o vice-governador confirmou estar preparado para disputar o governo do Estado em 2026. “Estou preparado para ser governador. Me sinto capacitado”, declarou. Ele afirmou que as próximas semanas serão decisivas, especialmente em função da possível candidatura do governador Eduardo Leite à Presidência da República ou ao Senado.
Gabriel Souza defendeu maior protagonismo do Rio Grande do Sul no cenário nacional e disse que pretende participar ativamente dos debates eleitorais. “Eu quero muito debate. Não vou desrespeitar adversários, mas vou apertá-los com firmeza para saber o que pensam”, afirmou.
Ao encerrar a entrevista, o vice-governador reforçou que considera o atual momento como de consolidação das bases para o futuro do Estado. “Lançamos as bases para o crescimento. Agora é preservar os avanços e seguir avançando”, concluiu.


