Por Redação Rádio Cultura ZS | 18/03/2026 – 09h40
A Prefeitura de Rio Grande participou, na tarde desta terça-feira (17), da audiência pública nº 4/2026 que debate a concessão da chamada Rota Portuária Sul, que liga o município a Pelotas. O encontro, realizado na Universidade Católica de Pelotas, reuniu autoridades, representantes da região e moradores, e ocorreu com mais de uma hora de atraso, lotando o auditório.
O projeto em discussão prevê a concessão de 459,6 quilômetros das BRs 116 e 392 por 30 anos, com cerca de R$ 11 bilhões em investimentos e mais R$ 5,7 bilhões para operação e manutenção. O modelo inclui a instalação de 14 pórticos de cobrança no sistema free-flow, além de tarifas estimadas em R$ 0,10 por quilômetro em pista simples e R$ 0,13 em pista duplicada.
Representando o Executivo, o vice-prefeito Renatinho Gomes defendeu a não instalação de pedágios em áreas urbanas, especialmente nos trechos da Quinta e do Povo Novo. Ele também destacou a necessidade de ampliar o debate, inclusive com a realização de audiência pública no próprio município.
Durante a audiência, cerca de 90 pessoas se inscreveram para apresentar sugestões à Agência Nacional de Transportes Terrestres. O superintendente de concessões da agência, Marcelo Fonseca, afirmou que o momento é de ouvir a população para adequar o projeto às necessidades regionais.
Entre os principais pontos defendidos pelo município estão a priorização das obras no Lote 4 da BR-392 — acesso ao porto —, a rejeição de cobrança em perímetros urbanos, um modelo tarifário que considere todo o trecho entre Porto Alegre e Rio Grande, além da não aplicação de adicional de 50% para caminhões.
A cobrança diferenciada para veículos de carga, aliás, é um dos pontos mais polêmicos do projeto, prevendo multiplicador de 1,5 por eixo em relação aos carros. Outro tema debatido foi o cronograma de duplicação do Lote 4, atualmente previsto apenas a partir do sexto ano da concessão — o que gerou pedidos para antecipação ou até retirada da obra do projeto para reduzir tarifas.
A localização dos 14 pórticos de cobrança também gerou críticas, principalmente por incluir áreas urbanas. Técnicos da ANTT devem realizar vistorias nos trechos ainda nesta semana. Também entrou em pauta a previsão de construção de uma segunda ponte internacional em Jaguarão.
Parlamentares da região, como o deputado federal Alexandre Lindenmeyer e o deputado estadual Halley Lino de Souza, reforçaram críticas ao modelo e defenderam mais tempo de discussão, com novas audiências em cidades como Rio Grande, Camaquã, Canguçu e Jaguarão.
A população ainda pode enviar sugestões ao projeto até o dia 22 de abril pela plataforma Participantt. A previsão é que o texto final seja encaminhado ao Tribunal de Contas da União em agosto, com lançamento do edital em abril de 2027 e leilão em julho. Até lá, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes segue responsável pela manutenção das rodovias.


