Por Redação
Uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está recrutando voluntários com diagnóstico de pré-diabetes em Pelotas, Rio Grande e cidades da região para um estudo que busca impedir o avanço da doença por meio da mudança do estilo de vida, sem o uso de medicamentos.
O assunto foi destaque na manhã de segunda-feira (26), durante entrevista concedida pela pesquisadora Renata Abib ao programa Manhã Regional, da Rádio Cultura Zona Sul, transmitido diretamente do Estúdio de Verão, no Cassino.
Nutricionista, gastrônoma, doutora em Bioquímica e professora da UFPel, Renata coordena o estudo chamado ProvemDia, que tem como objetivo acompanhar participantes ao longo de três anos, oferecendo assistência multiprofissional, exames periódicos e auxílio para deslocamento.
Quem pode participar
Podem se candidatar pessoas maiores de 18 anos que tenham diagnóstico de pré-diabetes, caracterizado por exame de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%, realizado nos últimos três meses. Outro critério inicial é ter IMC entre 18,5 e 34,9.
Segundo a pesquisadora, o pré-diabetes é uma fase decisiva.
“Esse é o momento certo de mudar hábitos de vida para evitar que a pessoa desenvolva o diabetes tipo 2”, explicou durante a entrevista.
Como funciona a pesquisa
Após a pré-triagem, os participantes passam por uma consulta inicial detalhada, com duração média de duas horas. Em seguida, são distribuídos de forma aleatória em três grupos:
Grupo controle: acompanhamento a cada seis meses;
Grupo de intervenção presencial: atendimentos mensais em Pelotas;
Grupo de intervenção remota (teleatendimento): acompanhamento mensal por telefone.
Durante o estudo, os participantes realizam exames periódicos, como glicemia de jejum, perfil lipídico e hemoglobina glicada, todos custeados pela pesquisa.
Foco na mudança de hábitos, sem medicamentos
A proposta do ProvemDia não inclui uso de medicamentos. O foco está na mudança do estilo de vida, com metas individualizadas envolvendo alimentação, atividade física, sono e qualidade de vida.
“Não trabalhamos com dietas prontas ou cardápios fechados. A ideia é mudar o estilo de vida como um todo, respeitando a realidade de cada pessoa”, ressaltou Renata no Manhã Regional.
Ela também destacou que é mito afirmar que pessoas com diabetes não podem consumir frutas.
“As frutas são importantes fontes de fibras e vitaminas. O que precisa ser ajustado são quantidades e horários, sempre de forma individualizada”, explicou.
Participação regional e apoio aos voluntários
Apesar dos atendimentos presenciais ocorrerem em Pelotas, pessoas de cidades da região, como Rio Grande, São Lourenço do Sul, Canguçu e municípios próximos, podem participar, desde que consigam se deslocar até o local. A pesquisa oferece auxílio financeiro para transporte, além de cobrir todos os exames necessários.
Inscrições abertas
A meta é incluir 53 participantes até junho de 2026, número definido a partir de critérios científicos dentro de um estudo nacional.
A pré-inscrição pode ser feita:
Pelo site da Universidade Federal de Pelotas, buscando pela pesquisa ProvemDia;
Ou diretamente pelo WhatsApp da pesquisadora: (53) 98121-9500.
Para iniciar a triagem, é necessário enviar uma foto do exame de hemoglobina glicada dentro dos valores exigidos.
“É uma oportunidade de cuidar da própria saúde e ajudar a construir novos caminhos para a prevenção do diabetes”, concluiu a pesquisadora.


