O fim da concessão dos pedágios do Polo Rodoviário de Pelotas dominou a edição especial do programa Manhã Regional, da Rádio Cultura Zona Sul 105,9, nesta semana. A partir de 4 de março de 2026, as cancelas das cinco praças administradas pela Ecovias Sul serão liberadas, encerrando a cobrança nas BR-116 e BR-392, após 28 anos de contrato. A concessão não será prorrogada e, até a definição de um novo modelo de gestão, a manutenção das rodovias ficará sob responsabilidade do DNIT.
Durante o programa, o deputado federal Daniel Trzeciak classificou o momento como “um misto de sentimentos”. Defensor do fim do atual modelo, ele afirmou que “o pedágio não é o problema, o problema é a alta tarifa”, citando o valor de R$ 19,60 como um dos mais caros do país. Segundo ele, a ausência de uma transição imediata para um novo contrato é falha do governo federal. “Se sabe há dez anos que esse contrato acaba dia 3 de março. Faltou prioridade para fazer a licitação a tempo”, declarou. O parlamentar alertou que, sem nova concessão, serviços como ambulância e guincho deixarão de ser oferecidos diretamente na rodovia, dependendo de contratação particular ou estrutura pública.
O vereador Luciano Figueiredo (Luka) também destacou impactos econômicos e fiscais. Ele lembrou que municípios deixarão de arrecadar ISS da concessionária — em alguns casos, representando até 10% da receita anual. Em Rio Grande, a estimativa é de perda superior a R$ 3 milhões por ano. Apesar disso, avaliou que o custo logístico elevado prejudicava a competitividade regional. “Não tem matemática que feche quando a gente compara com Santa Catarina”, afirmou, ao mencionar diferenças expressivas no valor cobrado por quilômetro em outros estados. 
Já a prefeita Darlene Pereira afirmou que o encerramento representa “uma vitória enquanto cria nova oportunidade, mas também um desafio”. Segundo ela, a região articula um plano de contingência com SAMU, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal para suprir a ausência imediata de serviços antes prestados pela concessionária. A chefe do Executivo municipal ressaltou ainda que o DNIT já conduz licitação para manutenção básica das rodovias, mas que o socorro médico e o atendimento emergencial seguem em discussão.
O encerramento da cobrança impacta diretamente motoristas, caminhoneiros e moradores da região Sul, que deixarão de pagar tarifa nos trechos atualmente pedagiados. Ao mesmo tempo, abre debate sobre o futuro modelo — se haverá menos praças, tarifas reduzidas ou sistema de cobrança automática. A Rádio Cultura Zona Sul 105,9 informou que seguirá acompanhando o tema e trará novas informações assim que houver atualização oficial sobre o processo licitatório previsto para os próximos meses.


