O Educandário Coração de Maria, uma das instituições mais antigas em atividade em Rio Grande, celebra 165 anos de história em 2026. Fundada em 1861, a instituição reuniu nesta quarta-feira (19) diferentes gerações que fizeram parte de sua trajetória, em uma programação voltada à preservação da memória e à aproximação com a comunidade.

O encontro contou com a participação de integrantes da direção, professores, ex-professores, ex-alunos e convidados. Fotografias, documentos e objetos históricos foram apresentados ao público, permitindo conhecer diferentes períodos da atuação do Educandário no município.

Criada em 15 de agosto de 1861 pelo major Miguel Tito de Sá, a instituição surgiu inicialmente como Asilo de Órfãs Coração de Maria, com o objetivo de acolher e educar meninas órfãs. Ao longo das décadas, o trabalho desenvolvido no local passou por diferentes transformações até chegar à atual estrutura educacional.

Em entrevista à Rádio Cultura Zona Sul, a diretora Neila Silva falou sobre a responsabilidade de manter uma instituição centenária em funcionamento e, ao mesmo tempo, preservar uma memória construída por diferentes gerações.
Atualmente, o Educandário atende crianças na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além do trabalho educacional, a instituição busca manter sua ligação histórica com a assistência e ampliar a participação da comunidade em suas atividades.
Uma história preservada em documentos e fotografias
Parte importante da trajetória do Educandário pode ser observada por meio de registros históricos preservados ao longo dos anos.
Uma fotografia de Amílcar Fontana, datada de 1912 e pertencente ao acervo da Biblioteca Rio-Grandense, mostra o antigo prédio do Educandário junto à Praça Sete de Setembro.
Em 1951, um incêndio atingiu a antiga sede e provocou a perda de parte do acervo. Naquele período, porém, uma nova edificação já estava sendo construída na Avenida Presidente Vargas.
Dois anos depois, o Jornal Rio Grande registrou a chegada da instituição ao novo prédio. Na edição de 28 de agosto de 1953, o periódico anunciava a inauguração da sede e classificava aquele momento como uma “significativa vitória do povo do Rio Grande”.
Mais de sete décadas depois, é na Avenida Presidente Vargas que o Educandário Coração de Maria segue desenvolvendo suas atividades.

Memórias de quem passou pelo Educandário
As comemorações também abriram espaço para os relatos de pessoas que fizeram parte da instituição em diferentes momentos.
A ex-professora Rejane Souza participou da programação e compartilhou lembranças do período em que trabalhou no Educandário. A experiência de antigos profissionais ajuda a reconstruir não apenas as mudanças na educação, mas também as transformações vividas pela própria instituição ao longo das décadas.
A programação comemorativa contou ainda com uma roda de conversa, proporcionando o encontro entre diferentes gerações e a troca de experiências sobre a história do Educandário.
O presidente da mantenedora, Daniel Prado, também participou das atividades alusivas aos 165 anos, reforçando a importância da continuidade do trabalho desenvolvido pela instituição e do compromisso com sua preservação histórica.

Passado e futuro
Mais do que recordar o passado, a celebração dos 165 anos busca chamar atenção para a importância da participação da comunidade na continuidade do Educandário.
Ao reunir fotografias, documentos, objetos e relatos de quem passou pela instituição, o Educandário Coração de Maria transforma a própria memória em uma forma de aproximar novas gerações.
Entre as lembranças do século 19, os registros do antigo prédio e a rotina atual da escola, a instituição chega aos 165 anos com o desafio de preservar o que foi construído e continuar escrevendo novos capítulos de sua história em Rio Grande.


