Fotos: Ester Lima
Por Redação Rádio Cultura ZS | 31/03/2026 – 12h10min
A cidade de Rio Grande passou a contar com a 24ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que volta a funcionar de forma autônoma e reforça a rede de proteção às vítimas de violência doméstica e familiar. O tema foi destaque em entrevista da delegada Alexandra Perez, titular da unidade, ao programa Manhã Regional, da Rádio Cultura Zona Sul. Segundo ela, a especialização é fundamental diante da complexidade dos casos: “É importante ter uma delegacia que trabalhe só com a violência contra a mulher, porque é muito exclusivo, é muito complexo o fenômeno”.
Instalada na Avenida Silva Paes, no Centro, junto à Central de Polícia, a nova estrutura conta com equipe especializada, gabinete, cartórios e setor de investigação. Apesar disso, o atendimento inicial segue sendo realizado na Sala das Margaridas, na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), espaço com funcionamento 24 horas e voltado ao acolhimento humanizado. “Os registros seguem sendo na DPPA, porque é 24 horas. Depois que registra é que vai para a Delegacia da Mulher, onde fazemos toda a investigação”, explicou a delegada.
Na entrevista, Alexandra Perez destacou que a reabertura da unidade representa um “primeiro passo” para ampliar a capacidade de atuação, embora o efetivo ainda seja considerado reduzido. “Temos oito policiais para tudo isso, hoje seis em atividade. É bastante trabalho”, afirmou. Ainda assim, os números apontam forte atuação: somente em 2026 já foram cumpridos dezenas de mandados de busca, apreensões de armas, prisões e instalação de tornozeleiras eletrônicas em agressores. Para a delegada, esses dados refletem não necessariamente aumento da violência, mas maior número de denúncias. “Não quer dizer que haja aumento, mas uma redução da subnotificação. As mulheres estão denunciando mais”, disse.

A delegada também chamou atenção para o ciclo da violência e as dificuldades enfrentadas pelas vítimas para romper relações abusivas. “Uma mulher pode levar até 10 anos para entender que está em um ciclo de violência”, afirmou. Segundo ela, fatores como dependência emocional e, principalmente, financeira dificultam a denúncia. “É muito fácil controlar uma mulher que não é autônoma”, pontuou. Entre os crimes mais recorrentes estão ameaça, lesão corporal, violência psicológica e perseguição.
Por fim, Alexandra Perez reforçou a importância da denúncia e do suporte oferecido pela rede local. “Registrem, denunciem. Em Rio Grande há uma rede de proteção que acompanha essa mulher”, destacou. Ela lembrou que o registro de ocorrência é o primeiro passo para garantir medidas protetivas e acesso a serviços de apoio. “Medida protetiva salva vidas”, concluiu.



