Por Redação Rádio Cultura ZS | 05/03/2026 – 15h44min
A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) realiza, pelo 15º ano consecutivo, a Semana da Acolhida Cidadã, iniciativa que marca o início do ano letivo com uma proposta diferente dos antigos trotes universitários. A programação é organizada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e envolve calouros, veteranos, professores e técnicos em uma série de atividades voltadas ao acolhimento, à cidadania e à permanência estudantil.
Em entrevista, o pró-reitor de Assuntos Estudantis, professor André Lemes, destacou que a acolhida foi criada “como uma atividade indutiva da universidade para substituir o antigo trote”, prática que, em muitas instituições brasileiras, ficou marcada por episódios de violência e constrangimento.

“Construimos uma proposta para mudar essa perspectiva, de que a chegada do estudante calouro tinha que ter um tom de cidadania. Ele tinha que gostar de estar ali, se sentir bem acolhido, não com medo do que ia acontecer com ele”, afirmou.
### Permanência como prioridade
Segundo Lemes, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis funciona como um “grande coração pedagógico da universidade”, responsável por acompanhar os estudantes ao longo da graduação. O setor atua no combate à evasão, oferece acompanhamento psicológico e de serviço social, além de auxílios para moradia e alimentação.
Ele ressaltou que o perfil dos estudantes das universidades federais mudou nos últimos anos. “O país conseguiu democratizar de algum modo o acesso ao ensino superior público. Hoje, a grande maioria vem da escola pública e temos um volume muito grande de estudantes de baixa renda, que é o público que nós queremos muito que esteja na universidade”, explicou.
Nesse contexto, a assistência estudantil é vista como fundamental para garantir que o acesso se transforme em permanência e conclusão do curso.
### Uma semana de integração
A programação da Acolhida Cidadã se estende por uma semana inteira. Durante esse período, professores flexibilizam as atividades acadêmicas para que os calouros possam participar de roteiros guiados pelos campi, conhecer laboratórios, setores administrativos e serviços oferecidos pela universidade.
Entre as atividades estão palestras sobre saúde mental, planejamento acadêmico e direitos e deveres dos estudantes. Também são realizados os encaminhamentos práticos, como cadastro biométrico para acesso ao restaurante universitário e informações sobre benefícios estudantis.
“Muitos vêm de fora, muitos estão pela primeira vez longe da família. A cobrança universitária é muito forte. Então, o acolhimento a essa coisa humana é fundamental”, destacou o pró-reitor.
### Luto e reprogramação
Parte da programação precisou ser transferida após o falecimento da professora Adriana Gibon, do Instituto de Letras e Artes, que passou mal durante uma atividade da acolhida e faleceu no dia seguinte.
A universidade optou por adiar o chamado “Festival da Acolhida Cidadã”, que reuniria serviços em parceria com a Prefeitura do Rio Grande, como vacinação, testes rápidos de saúde, atendimento da assistência social e apresentações musicais.
“Nós entendemos que era prudente transferir. Não suspendemos, apenas transferimos. Não deixaremos de fazer, mas em respeito a esse momento triste”, afirmou Lemes, ao manifestar solidariedade à família da docente.
### Envolvimento coletivo
Embora o foco principal seja a recepção aos novos estudantes, a acolhida envolve toda a comunidade acadêmica. A Prae realiza um chamamento público para que veteranos, professores e técnicos apresentem projetos de atividades para a semana.
As propostas passam por avaliação e, quando aprovadas, recebem apoio institucional com kits, camisetas e estrutura para execução. Atualmente, a FURG conta com mais de 70 cursos de graduação, todos mobilizados no processo.
“O foco é receber os estudantes novos, mas com o envolvimento de todos os veteranos dos cursos”, explicou o pró-reitor.
Ao completar 15 anos, a Acolhida Cidadã se consolida como uma política institucional da FURG, reforçando a ideia de que o ingresso na universidade deve ser marcado não pelo constrangimento, mas pelo pertencimento e pela construção de vínculos.


