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12 junho 2026
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Colunista Nerino Dionello Piotto: “A falta de planejamento continua cobrando seu preço”

Por Nerino Dionello Piotto – Economista | 12/06/2026 – 11h35min

Nesta semana, volto a dois temas que já estiveram em pauta recentemente: o esvaziamento do Centro de Rio Grande e a necessidade de mudanças no sistema de Zona Azul. Ambos, na verdade, têm uma origem comum: a falta de planejamento e de pensamento crítico, um problema crônico que acompanha o Brasil há décadas.

Planejar não é apenas elaborar projetos ou criar propostas. Planejar também significa executar aquilo que foi pensado. E é justamente nessa etapa que, muitas vezes, falhamos.

Sobre o fechamento de lojas e o esvaziamento do Centro, recebi uma observação muito pertinente do professor Flávio de Figueiredo, um grande mestre e estudioso que acompanha estas reflexões há muitos anos. Com a elegância e o respeito que sempre marcaram sua trajetória, ele lembrou que uma das razões para o fechamento de estabelecimentos comerciais é a migração dos consumidores para as compras online.

Sem dúvida, trata-se de um fenômeno mundial. Concordo plenamente. No entanto, essa transformação já era esperada há bastante tempo e diversas cidades, dentro e fora do Brasil, adotaram medidas para minimizar seus impactos.

Uma das alternativas seria dar novas funções aos imóveis comerciais que permanecem fechados. Poderiam existir mecanismos de incentivo para ocupação desses espaços ou até mesmo medidas que desestimulassem a manutenção de lojas vazias por longos períodos. O importante é que haja uma estratégia clara para manter a vitalidade das áreas centrais.

O problema é que, mais uma vez, parece faltar planejamento e definição de prioridades.

Essa ausência de visão estratégica aparece também em outros setores. Um exemplo é o sistema elétrico nacional. O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e produz energia a custos relativamente baixos. Ainda assim, convivemos com tarifas elevadas e até mesmo com riscos de desequilíbrios no sistema. É uma demonstração clara de que produzir não basta; é preciso saber administrar e aproveitar aquilo que se produz.

O mesmo raciocínio vale para a Zona Azul em Rio Grande. Quando o sistema foi implantado, havia uma determinada realidade urbana e comercial. Hoje, o cenário mudou. Com menos movimento no Centro, a cobrança pelo estacionamento já não parece cumprir a mesma função de antes e, em muitos casos, pode até contribuir para afastar consumidores.

Mais uma vez, surge a pergunta: houve planejamento para acompanhar essas mudanças?

O debate se amplia quando observamos a economia brasileira. Embora os indicadores oficiais mostrem crescimento, a percepção da população é bastante diferente. A cada ida ao supermercado, o impacto dos preços é sentido diretamente no orçamento das famílias.

Empresas não operam no prejuízo. Quando os custos aumentam, eles acabam sendo repassados ao consumidor. E, no final da cadeia, é sempre a população quem absorve a conta mais pesada.

O Produto Interno Bruto cresce, mas em ritmo modesto. Enquanto países emergentes costumam registrar expansões mais robustas, o Brasil segue avançando lentamente. Há recursos disponíveis no setor privado, mas o ambiente de negócios continua sendo dificultado por um sistema tributário complexo, excesso de regulamentações e pela falta de mão de obra qualificada.

Crescer é importante, mas crescimento sem desenvolvimento produz resultados limitados. É o que popularmente se chama de “voo de galinha”: sobe por um momento, mas não consegue se sustentar.

Por isso, a reflexão permanece atual. O Brasil cresce, mas ainda encontra dificuldades para se desenvolver. E talvez a resposta para boa parte desses desafios esteja justamente naquilo que tantas vezes deixamos em segundo plano: planejamento, visão de longo prazo e capacidade de execução.

** Os artigos e colunas publicados representam exclusivamente a opinião de seus autores, nossos colaboradores.                                                                                Não refletindo, necessariamente, o posicionamento da RÁDIO CULTURA ZONA SUL, que pauta sua atuação nos princípios do pluralismo, da independência editorial, do apartidarismo e do jornalismo crítico.

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