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9 junho 2026
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Colunista Dr. Sérgio Wagner: “A vacina da gripe não provoca gripe; o que existe é coincidência de sintomas”

Por Dr. Sérgio Wagner | 09/06/2026 – 10h19min

Uma dúvida bastante comum chegou ao programa nesta semana: tomar em jejum um suco de couve, mamão, ameixa seca e algumas gotas de limão ajuda na digestão?

Antes de responder, vale uma reflexão. Muitas vezes, especialmente entre pessoas de mais idade, a principal fonte de orientação continua sendo o conselho do vizinho, do amigo ou de algum familiar. Não raramente, essas recomendações acabam tendo mais peso do que a orientação médica, o que pode comprometer a adesão a tratamentos importantes.

Sobre o suco em questão, não há nada de errado em recorrer a receitas naturais. No entanto, essa combinação lembra mais aquelas fórmulas conhecidas como detox ou auxiliares para emagrecimento do que propriamente algo voltado à proteção digestiva.

Entre os ingredientes citados, a principal ressalva fica para o limão. Quem sofre de gastrite, azia ou refluxo deve ter cautela, pois o consumo pode agravar os sintomas. Já o mamão, a ameixa seca e os demais vegetais são alimentos ricos em fibras e costumam contribuir para o bom funcionamento intestinal.

É importante destacar que não existem comprovações científicas robustas sobre os benefícios específicos desse tipo de mistura. Por outro lado, também não há evidências de que faça mal para a maioria das pessoas. A regra prática é simples: se está trazendo benefícios e não causa desconforto, pode ser mantido. Caso contrário, não há razão para insistir.

Também é preciso ter cuidado com receitas populares que prometem efeitos quase milagrosos. Um exemplo é o hábito de consumir limão com a justificativa de “afinar o sangue”. Toda substância tem limites e exageros podem trazer consequências indesejadas. O equilíbrio continua sendo a melhor orientação.

Outra pergunta que surgiu durante a semana envolve um assunto que sempre gera dúvidas nesta época do ano: a vacina da gripe.

Muitas pessoas acreditam que a vacina pode fazer um vírus adormecido se manifestar ou até provocar gripe. Isso é um mito.

A vacina da gripe é produzida com vírus inativados, incapazes de se multiplicar ou causar a doença. Além disso, o vírus influenza não permanece adormecido no organismo. Diferentemente de vírus como os da herpes ou da catapora, que podem ficar latentes e voltar a se manifestar futuramente, o vírus da gripe permanece no corpo por alguns dias e depois é eliminado.

Então por que algumas pessoas afirmam que ficaram gripadas logo após a vacinação?

A explicação costuma estar na coincidência de datas. A campanha de vacinação ocorre justamente em um período de maior circulação dos vírus respiratórios. Muitas vezes, a pessoa já estava incubando uma gripe, um resfriado, Covid-19 ou outra infecção quando recebeu a vacina.

Além disso, é normal que a imunização provoque reações leves, como febre baixa, dores no corpo e mal-estar durante um ou dois dias. Quando esses sintomas se somam a uma infecção já em desenvolvimento, cria-se a impressão de que a vacina causou a doença.

Outro ponto importante é que a proteção não acontece imediatamente. O organismo leva cerca de duas semanas para desenvolver sua resposta imunológica máxima. Portanto, uma pessoa pode ser infectada antes que a vacina tenha produzido seus efeitos.

Também vale lembrar que a vacina protege contra cepas específicas da influenza, mas não impede infecções causadas por outros vírus respiratórios que circulam durante o inverno.

A vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção contra complicações da gripe. Existem, no entanto, casos específicos de pessoas que apresentam intolerância à vacina e desenvolvem reações mais intensas. São situações pontuais que devem ser avaliadas individualmente por um médico.

No fim das contas, a principal mensagem é clara: a vacina da gripe não desperta vírus adormecidos nem provoca gripe. Na maioria das vezes, o que acontece é uma coincidência entre o período de vacinação e a circulação intensa de vírus respiratórios nesta época do ano.

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