Por Assessoria Rádio Cultura ZS | 11/09/2026 – 13h07min
Oceantec – Parque Científico e Tecnológico da FURG foi palco, na noite da última quinta-feira, 10, do 2º Encontro de Colaboração da Indústria Aura Sul Wind, consolidando Rio Grande como centro das discussões sobre a implantação do primeiro projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante do Brasil. Com participação expressiva de pesquisadores, empresários, representantes dos governos municipal e estadual, Portos RS, setor portuário, indústria marítima e a Furg, o encontro teve como principal característica a troca de conhecimentos para a construção participativa do projeto. Ao longo da programação, diferentes segmentos apresentaram questionamentos, sugestões e contribuições, incluindo representantes da construção civil e da pesca, que também serão ouvidos durante todas as etapas de desenvolvimento.
A prefeita Darlene Pereira participou do evento e disse que a escolha do Rio Grande para sediar o projeto-piloto cria uma oportunidade de construir uma iniciativa inovadora de forma coletiva. De acordo com ela, “discutimos com a academia, com o setor produtivo e com pesquisadores essa temática, construindo coletivamente o projeto e fazendo com que a comunidade compreenda todo o processo desde o início”.
CEO da JB Energy, empresa japonesa à frente de todo o projeto, Rodolfo Gonçalves avaliou o encontro como um sucesso e ressaltou que o diálogo com todos os setores afetados é um princípio do Aura Sul Wind, baseado na responsabilidade. Para ele, a empresa pretende manter reuniões periódicas no município do Rio Grande para apresentar cada avanço do empreendimento e incorporar contribuições da sociedade. “É exatamente isso que queremos: construir juntos. Estão participando empresas, governo, universidade e também setores como a pesca. Receber essas preocupações desde o começo permite aperfeiçoar o projeto enquanto ainda há tempo para modificar decisões.”
Rodolfo enfatizou que a proposta é desenvolver inicialmente apenas uma plataforma flutuante de 18,5 MW, e não um parque eólico completo. Essa opção, explica, representa uma postura de responsabilidade ambiental e social. “Com uma única plataforma nós aprendemos, avaliamos os impactos e melhoramos as próximas etapas. É muito mais responsável aprender primeiro do que errar em grande escala.”
O executivo também salientou que as pesquisas desenvolvidas para geração de energia limpa poderão produzir benefícios em outras áreas, como modelos de previsão meteorológica e estudos sobre eventos extremos, ampliando o conhecimento disponível para o poder público.
Diferenciais estratégicos
Diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha afirmou que Rio Grande reúne condições naturais e logísticas para liderar essa nova cadeia produtiva, mas ressaltou que a qualificação de empresas e profissionais será decisiva para atender futuros parques eólicos de grande porte.
Por sua vez, a reitora da Furg, Suzane Gonçalves, classificou o projeto como um “ganha-ganha”, destacando que a parceria entre universidade, pesquisadores e empresa fortalece a inovação, a pesquisa e posiciona Rio Grande e a região Sul na vanguarda das energias renováveis.
Proposta inovadora com macroalgas
Um dos momentos mais promissores da noite foi a assinatura de um protocolo de intenções entre a JB Energy e a startup rio-grandina TerraMares Soluções Ambientais. A proposta prevê estudos para integrar o cultivo de macroalgas à infraestrutura da plataforma offshore flutuante, unindo geração de energia renovável, captura biológica de carbono, produção de biomassa marinha, monitoramento ambiental e economia circular.
Fundador da TerraMares, o oceanólogo rio-grandino, Victor Magalhães destacou o caráter inédito da iniciativa, afirmando “quem imaginaria unir a biodiversidade com a energia eólica? Vamos utilizar o que o Rio Grande tem de melhor: nossos ecossistemas costeiros, a universidade, pesquisadores e empresas para criar uma solução de inovação com impacto mundial”.
A colaboração investigará a viabilidade técnica de utilizar a fundação flutuante Raijin Float, desenvolvida pela JB Energy, como suporte para sistemas de cultivo de macroalgas, ampliando o potencial ambiental e econômico do projeto Aura Sul Wind e abrindo novas possibilidades para bioprodutos, biomateriais e aplicações industriais da biomassa marinha.


