Por Redação Rádio Cultura ZS | 03/08/2026 – 10h27min
A equipe de robótica FBOT, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), voltou da RoboCup 2026, realizada em Incheon, na Coreia do Sul, com resultados expressivos em uma das maiores competições de robótica do mundo. O grupo conquistou o 4º lugar mundial na categoria @Industrial, com o robô MICKY, e alcançou a maior pontuação da história da equipe na categoria @Home, com o robô BORIS, terminando na 15ª colocação.
A participação da equipe foi tema da Entrevista do Dia do programa Manhã Regional, da Rádio Cultura Zona Sul, nesta segunda-feira (3), com a presença de Marina Rocha, capitã da categoria @Home; Conrado Floriano, capitão da categoria @Industrial; e Ivo Arpino Rasia, integrante responsável pela categoria de drones.
Criada em 2002, a FBOT iniciou sua trajetória com competições de robôs de futebol e, ao longo dos anos, passou a atuar em diferentes áreas da robótica. Atualmente, a equipe desenvolve tecnologias voltadas para ambientes domésticos, industriais e veículos autônomos.
Segundo os integrantes, representar a FURG e o Brasil em uma competição internacional ao lado de universidades e equipes de grandes potências tecnológicas foi um desafio marcante.
“É loucura tu pensar que a gente aqui da faculdade de Rio Grande, do fundo do Brasil, está competindo com Alemanha, Coreia, Indonésia, Holanda. Países que tu pensa em tecnologia, e a gente está lá para disputar com eles e ficar par a par”, destacou um dos integrantes da equipe.
Na categoria industrial, o robô MICKY chamou atenção pelo desempenho. O equipamento é responsável por realizar tarefas como identificação de objetos, movimentação de peças e organização de materiais em um ambiente simulado de fábrica.
Conrado Floriano explicou que o projeto começou com uma base educacional e evoluiu até chegar ao nível de competição internacional.
“A gente começou com uma base feita para os alunos aprenderem robótica e, a partir disso, fomos usando materiais que tinham no laboratório para construir o robô. Ele pega peças, identifica objetos e organiza em ordem os objetos que são pedidos.”
O resultado de quarto lugar colocou a FURG entre as melhores equipes do mundo na categoria, superando grupos de países com maior investimento em tecnologia.
“É muito legal ver que, com o hardware que a gente tem, conseguimos competir com gente que tem muito mais recursos que a gente”, afirmou Conrado.
Na categoria @Home, o robô BORIS, desenvolvido para auxiliar em tarefas domésticas e interagir com pessoas, alcançou a melhor marca da história da equipe. O equipamento participa de provas que simulam situações do cotidiano, como seguir pessoas, organizar objetos e auxiliar em atividades dentro de uma residência.
Marina Rocha explicou que o objetivo vai além da competição e pode representar avanços em áreas como assistência a idosos e pessoas com deficiência.
“As tarefas que a gente desenvolve ali são muito voltadas para a competição, mas também podem ser adaptadas para atender idosos ou pessoas com diversas necessidades.”
Durante a competição, a equipe enfrentou dificuldades técnicas. Um dos principais desafios foi um problema no braço robótico do BORIS, que exigiu uma operação de manutenção durante a permanência na Coreia do Sul.
“Chegando lá, tivemos um problema com os motores do manipulador. Precisamos encontrar a empresa, nos deslocar bastante, levar para o conserto e depois remontar o robô nos últimos dias antes da competição”, contou Marina.
Mesmo com os obstáculos, a equipe conseguiu dobrar a pontuação obtida em anos anteriores.
“Ter conseguido atingir a maior pontuação da história da equipe foi muito satisfatório. A gente conseguiu mostrar que desenvolveu isso e mostrar a nível mundial”, afirmou a capitã da categoria @Home.
Além das categorias doméstica e industrial, a FBOT também retomou os trabalhos com drones. O grupo está desenvolvendo sistemas de autonomia para que os equipamentos possam realizar tarefas sem depender de controle manual.
Ivo Arpino Rasia explicou que o desafio atual é fazer com que o drone consiga tomar decisões sozinho utilizando sensores e câmeras.
“A gente está trabalhando para fazer justamente o drone não precisar de um controle manual. Ele trabalharia com câmeras e sensores e identificaria os obstáculos.”
Segundo ele, a pesquisa busca avançar no controle autônomo sem depender de GPS, uma tecnologia que pode ter aplicações em diferentes setores.
“A gente está aperfeiçoando essa parte do controle autônomo usando somente a visão. É uma tecnologia extremamente difícil de fazer.”
A equipe também destacou projetos desenvolvidos dentro da própria FURG, como o e-drone, um equipamento capaz de realizar operações aéreas e submersas para inspeções em estruturas costeiras.
Com os resultados obtidos na RoboCup 2026, a FBOT agora volta suas atenções para novos desafios e para o aprimoramento dos projetos. A equipe pretende utilizar a experiência adquirida na Coreia do Sul para fortalecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade.



