Por Dr. Sérgio Wagner – Clínico Geral | 26/05/2026 – 11h41min
As ondas de frio têm chamado atenção não apenas pelas baixas temperaturas, mas também pelos impactos na saúde. Com a chegada dos meses mais rigorosos do inverno, especialistas alertam para o aumento de dores musculares, problemas respiratórios e agravamento de doenças crônicas.
As quedas bruscas de temperatura provocam uma espécie de mecanismo de defesa do organismo. O corpo reage contraindo músculos, vasos sanguíneos e nervos para preservar o calor interno. Essa contração, porém, pode causar dores musculares, ósseas e articulares, além de alterar a postura corporal, aumentando principalmente os problemas de coluna, artrites e artroses.
Outro efeito bastante comum é a queda da imunidade. A mudança rápida de temperaturas — saindo de dias de 25 ou 30 graus para marcas próximas de 5 graus — favorece o surgimento de gripes, resfriados, sinusites, bronquites, crises de asma, otites, amidalites e até pneumonias.
O frio também costuma intensificar dores já existentes em pacientes com doenças crônicas. Entre os quadros mais afetados estão o hipotireoidismo, devido ao aumento de peso e sobrecarga na coluna, além da fibromialgia, condição que costuma se agravar consideravelmente durante o inverno.
Problemas vasculares também entram na lista. Um dos mais comuns é a síndrome de Raynaud, conhecida popularmente como “frieira”, embora não tenha relação com fungos. A condição provoca alterações na circulação das extremidades, principalmente dedos das mãos e dos pés, que podem ficar esbranquiçados, arroxeados e avermelhados, além de doloridos e com perda de sensibilidade.
As baixas temperaturas ainda aumentam os riscos de eventos isquêmicos, como AVC e infarto, além de favorecer lesões de pele, eczemas e dermatites causadas pelo ressecamento provocado pelo frio.
Para enfrentar o inverno com mais segurança, algumas medidas são consideradas fundamentais. A prática de atividades físicas segue recomendada mesmo nos dias frios, incluindo exercícios em ambientes fechados, alongamentos e atividades em piscinas térmicas. O alongamento, inclusive, deve receber atenção especial no inverno para evitar estiramentos musculares.
Outra orientação importante é respirar preferencialmente pelo nariz, já que ele aquece o ar antes da chegada aos pulmões. Também é essencial usar roupas adequadas e proteger todo o corpo, especialmente extremidades como pés, mãos, rosto, pescoço e cabeça, regiões mais vulneráveis à perda de calor.
Especialistas alertam ainda para uma falsa sensação comum no inverno: muitas pessoas acreditam não sentir frio nos pés e nas mãos, quando na verdade essas áreas já podem estar com perda de sensibilidade devido ao resfriamento dos nervos.
A hidratação também não deve ser esquecida. Apesar da menor sensação de sede, o ar frio e seco contribui para a desidratação do organismo.
Outro mito recorrente envolve o consumo de bebidas alcoólicas. Embora destilados e vinhos provoquem sensação momentânea de aquecimento, o álcool causa vasodilatação e favorece a perda do calor interno do corpo.
O inverno também costuma trazer aumento no consumo de alimentos calóricos. A permanência maior dentro de casa e a preferência por comidas mais pesadas acabam contribuindo para o ganho de peso, apesar do organismo gastar mais energia para manter a temperatura corporal.
A recomendação é reforçar os cuidados ao longo dos próximos meses, já que novas ondas de frio ainda devem atingir a região durante o inverno.
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