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22 maio 2026
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Em entrevista à Rádio Cultura Zona Sul, pesquisadores da FURG explicam como a “primeira palavra” pode mudar respostas da IA em estudo publicado internacionalmente

Por Redação Rádio Cultura ZS | 22/05/2026 – 09h52min

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do estudante Paulo Santos Neto, do Centro de Ciências Computacionais (C3) da Universidade Federal do Rio Grande, ganhou destaque internacional ao ser transformado em artigo científico publicado na revista Neural Computing and Applications, referência mundial na área de inteligência artificial e computação.

O tema foi destaque da entrevista desta sexta-feira (22) no programa Manhã Regional, da Rádio Cultura Zona Sul, que recebeu o professor Rodrigo Guerra e o aluno Paulo Santos Neto para falar sobre a pesquisa envolvendo inteligência artificial generativa e os chamados Large Language Models (LLMs), tecnologia utilizada em plataformas como o ChatGPT.

O estudo apresentou o método chamado Two-Token Fine-tuning (2T-FT), uma proposta inovadora que busca aprimorar o desempenho dos modelos de linguagem treinando apenas o primeiro e o último token — ou seja, as primeiras e últimas palavras de uma resposta gerada pela inteligência artificial.

Durante a entrevista, Paulo Neto explicou de forma didática que os modelos de IA normalmente são treinados utilizando frases e textos completos. A pesquisa desenvolvida no C3 partiu da hipótese de que o início de uma resposta exerce influência decisiva sobre todo o raciocínio gerado pelo sistema.

“Às vezes o início é muito mais importante do que o restante da frase. A primeira palavra influencia todo o encadeamento do pensamento da inteligência artificial”, destacou o estudante.

Segundo o professor Rodrigo Guerra, a ideia parecia improvável no início, mas começou a mostrar resultados positivos após meses de testes e insistência da equipe. Ele comparou o funcionamento da IA ao raciocínio humano, explicando que uma palavra “puxa” a próxima, formando a construção lógica da resposta.

“O Paulo já chegou para o TCC tendo implementado um pequeno LLM com as próprias mãos. Isso mostrou um potencial enorme. Não basta ser um bom piloto, tem que abrir o capô e mexer no motor”, afirmou o professor.

Outro ponto que chamou atenção na pesquisa foi o baixo custo computacional. Enquanto grandes empresas investem milhões de dólares e utilizam supercomputadores para treinar modelos de linguagem, o método desenvolvido pelos pesquisadores da FURG conseguiu gerar melhorias significativas utilizando poucas horas de processamento em um computador pessoal.

“A consequência do trabalho foi justamente essa eficiência. Enquanto grandes centros usam milhares de computadores, nós conseguimos resultados relevantes com uma estrutura muito menor”, explicou Paulo Neto.

O trabalho começou a ser desenvolvido em março de 2025 e levou cerca de um ano entre testes, ajustes e revisões até ser aceito pelo periódico internacional.

Além de Paulo Santos Neto e Rodrigo Guerra, o estudo também contou com a participação dos pesquisadores Felipe Kühne, Jardel Dyonisio, João Francisco Lemos e Paulo Drews Jr..

Durante a entrevista, Rodrigo Guerra também destacou a importância de o Brasil desenvolver tecnologia própria na área de inteligência artificial para evitar dependência de grandes empresas estrangeiras.

“A gente precisa dominar essas tecnologias e participar dessa construção. Não podemos apenas consumir o que é desenvolvido lá fora”, afirmou.

Os entrevistados também comentaram os avanços rápidos da inteligência artificial nos últimos anos e os debates sobre os impactos da tecnologia na sociedade, mercado de trabalho e comportamento humano.

Ao final da entrevista, Rodrigo Guerra revelou ainda que a FURG recebeu dois robôs humanoides voltados para pesquisas em IA generativa aplicada a movimentos e tarefas manuais, equipamentos que deverão ser apresentados futuramente pela universidade.

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