Por Redação Rádio Cultura ZS | 14/05/2026 – 09h49min
O presidente da Santa Casa do Rio Grande, Renato Silveira, participou do programa Manhã Regional, desta quinta-feira, 14, da Rádio Cultura Zona Sul, para esclarecer a situação atual da instituição, os desafios enfrentados pela superlotação no pronto-socorro, os atrasos nos pagamentos médicos e os novos recursos articulados junto aos governos municipal, estadual e federal.
Durante a entrevista, Renato destacou que o hospital vive um momento histórico de reconstrução e busca pelo equilíbrio financeiro.
Logo no início da conversa, o presidente chamou atenção para a alta demanda enfrentada pelo pronto-socorro da instituição.
“Essa semana mesmo nós chegamos a ter 157% de lotação no PS”, afirmou.
Segundo ele, a situação é agravada principalmente durante o inverno, devido ao aumento das doenças respiratórias. Para amenizar o problema, a Santa Casa abriu mais oito posições de atendimento e prepara a ampliação da estrutura hospitalar.
“Nós teremos mais 41 leitos de internação. Isso nos próximos meses”, anunciou.
Renato também informou que, através da Secretaria Estadual da Saúde, serão abertos mais dez leitos de suporte ventilatório para atendimento das doenças típicas do período mais frio do ano.
O presidente ressaltou ainda que muitos pacientes procuram o pronto-socorro para situações que poderiam ser atendidas em UBSs e UPAs.
“Que deixem para ir ao nosso ponto de urgência e emergência aquelas situações mais graves”, explicou.
Sobre os atrasos nos pagamentos médicos, Renato confirmou que ainda existem pendências, mas afirmou que já há um acordo definido.
“Serão feitos agora em maio pagamentos de novembro, dezembro e janeiro. Fevereiro e março vão ser divididos em 12 parcelas a partir de junho”, disse.
De acordo com ele, os recursos que permitirão os pagamentos são provenientes de incentivos e habilitações conquistados junto ao SUS.
Um dos principais temas abordados foi a adesão da Santa Casa ao chamado “100% SUS”. Renato explicou que a medida foi necessária para garantir novos repasses financeiros.
“Uma das exigências é essa, que a gente fizesse adesão ao 100% SUS”, afirmou.
Apesar disso, ele garantiu que os atendimentos particulares e convênios seguirão funcionando normalmente.
“Toda aquela parte da Presidente Vargas, da nossa clínica, do cartão, da parte diagnóstica e laboratório vão continuar sendo feitos dentro da saúde suplementar”, destacou.
O presidente também criticou a defasagem da tabela SUS e afirmou que os novos recursos virão principalmente por meio de habilitações específicas e incentivos federais.
Entre os exemplos citados está a linha de cuidado para AVC.
“Hoje nós já fazíamos esse cuidado, mas não tínhamos habilitação. Agora vamos conseguir faturar e ter uma receita importante”, explicou.
Renato detalhou que a Santa Casa precisava custear do próprio orçamento medicamentos de alto custo utilizados em pacientes com AVC.
“Só uma medicação usada nesses pacientes, a alteplase, custa mais de dois mil reais e a gente não conseguia faturar”, relatou.
Outro ponto destacado foi o apoio recebido da Prefeitura do Rio Grande, do Ministério Público e do Ministério da Saúde.
“Houve uma condição de um grupo do Ministério Público que uniu todos os entes federativos para buscar uma solução para a Santa Casa”, afirmou.
Segundo Renato, técnicos do Ministério da Saúde estiveram em Rio Grande avaliando a situação do hospital.
“Eles foram unânimes em dizer que operacionalmente o hospital é viável”, contou.
O presidente revelou ainda que a instituição segue enfrentando déficit financeiro mensal, apesar das medidas de enxugamento adotadas.
“Ano passado nós fechamos o ano com um déficit de 2 milhões e 400 mil reais por mês”, informou.
Ele destacou que a meta da atual gestão é garantir equilíbrio financeiro para melhorar os atendimentos e evitar novas crises.
“O que nós buscamos é o equilíbrio econômico-financeiro da Santa Casa para que isso reflita lá na melhoria da assistência”, concluiu.
Ao final da entrevista, o apresentador José Valerão também defendeu a importância da instituição para a comunidade rio-grandina e relatou experiências pessoais positivas vividas na Santa Casa.
“Eu tive um AVC e fui muito bem tratado na Santa Casa. Outras tantas vezes que fui socorrido também”, afirmou.



