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31 março 2026
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Seminário da Soja destaca qualidade do grão e desafios logísticos no Porto do Rio Grande

Fotos: Ester Lima

Por Redação Cultura ZS | 31/03/2026 – 15h15min

Realizado dentro da programação do Festimar 2026, o 2º Seminário de Qualidade da Soja do Porto do Rio Grande reuniu especialistas, autoridades e representantes do setor produtivo em uma série de debates sobre o papel estratégico da soja na economia gaúcha. Ao longo da programação, o evento apresentou um panorama que vai da transição energética às limitações estruturais que impactam o escoamento da produção.

Um dos destaques foi a discussão sobre o avanço da matriz energética no Estado. O administrador Flávio Mingorance, da Refinaria Riograndense, apresentou o projeto de transformação da unidade em uma biorrefinaria, iniciativa que prevê a substituição de insumos fósseis por matérias-primas vegetais. “É um projeto transformador para o Rio Grande do Sul. Vamos trocar a carga fóssil por vegetal, utilizando matérias-primas que temos aqui”, afirmou.

No campo da produção, a qualidade da soja brasileira foi apontada como um dos principais diferenciais competitivos no mercado internacional. O diretor técnico e fundador do grupo Pró-Ambiente, Marco Dexheimer, destacou que o teor proteico do grão e o controle rigoroso de contaminantes têm ampliado a credibilidade do produto brasileiro.

Rafael Chaves e o diretor técnico e fundador do grupo Pró-Ambiente, Marco Dexheimer

Durante entrevista, Dexheimer explicou que mercados como o chinês mantêm exigências rigorosas quanto à segurança alimentar. “Eles exigem que não haja resíduos de metais pesados, como chumbo e mercúrio, e também de agroquímicos. Essa preocupação procede, porque esses elementos podem causar intoxicação, principalmente em crianças”, disse.

Segundo ele, o Brasil evoluiu significativamente nesse controle ao longo dos anos. “Nós monitoramos isso há 40 anos. Antes havia incidência expressiva, hoje tende a zero. Isso é resultado de um trabalho de otimização em toda a cadeia produtiva, que garante o aumento das exportações em função da qualidade”, ressaltou. O especialista também destacou que a transição do modelo fóssil para o vegetal “projeta melhoria em qualidade e aumento de produção, sendo muito favorável para toda a cadeia”.

Apesar dos avanços, o seminário também evidenciou gargalos históricos na logística regional. A situação da BR-392 foi apontada como um dos principais entraves para o escoamento da produção, devido à necessidade constante de manutenção e aos impactos das condições climáticas.

O tema ganhou força em painel que reuniu lideranças políticas e representantes do setor, que fizeram um diagnóstico comum: o Porto do Rio Grande possui capacidade instalada e potencial de crescimento, mas enfrenta limitações estruturais que comprometem seu pleno aproveitamento.

Outro ponto de atenção levantado foi o modelo de concessões rodoviárias e seus reflexos no custo do transporte de cargas. A possibilidade de aumento tarifário por eixo de caminhões foi citada como um fator que pode impactar diretamente a competitividade do setor produtivo.

Com foco em qualidade, inovação e infraestrutura, o seminário reforçou o papel estratégico do Porto do Rio Grande como elo entre a produção gaúcha e o mercado internacional, ao mesmo tempo em que evidenciou a necessidade de investimentos para garantir eficiência logística e expansão sustentável do setor.

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